Ex
Existe "ex" tudo. Ex-presidente, ex-trabalhador, ex-desempregado, ex-rico, ex-pobre, e assim por diante. Eu sou um ex-defunto.
Tudo começou quando meu maior amigo, residente em Minas Gerais, ia formar-se em medicina e eu fui a sua formatura. A formatura “correu” muito bem, porém, na festa, tomamos um uísque e ficamos um pouco embriagados. Então, fomos acabar, isto é, complementar a festinha num barzinho muito bom de uma cidadezinha do interior chamada Miracema. Perto do bar havia um silêncio profundo com muitas estradas desertas. Eu e meu amigo bebemos muito nesse bar.
Estávamos nada sóbrios quando ele começou a passar mal. O dono do bar começou a acudi-lo, e eu, o herói da noite, fui buscar ajuda. Porém, fui a pé pelas estradas desertas afora, pois o dono do bar não permitiu que eu fosse de carro. Daí em diante só sei o que me contaram...
Estava estirado na estrada deserta quando um carro freou subitamente perto de mim. Que sorte a minha! Saltaram do carro, olharam-me, me deram por morto e chamaram o rabecão. Enquanto o rabecão não veio, fiquei algumas horas coberto por um plástico preto (que não sei aonde arrumaram!), com várias velas acesas em volta de mim. Quando finalmente o rabecão chegou, recolheram o “defunto” e colocaram-me dentro da geladeira de um instituto médico legal, onde fiquei durante meia hora. Quando acordei estava em um lugar escuro, fechado e geladíssimo. Bati em uma das paredes, que por sinal era a porta, porém, ninguém me escutava. De repente a porta se abriu.
Era um homem todo vestido de branco. Quando ele me viu sentado, falando de dentro da geladeira, ficou branco e na mesma hora ficou vermelho e ficou branco e bufe! Desmaiou sem ter tido tempo, graças a Deus, de fechar novamente a porta para que o defunto não saísse andando.
Em resumo, agora estou aqui, na escrivaninha, vivinho terminando de contar o que me aconteceu.
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