Sonho Apocalíptico

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O tempo está absurdamente quente. O sol inclemente daquela tarde de verão parecia cozinhar o ar. Uma languidez tomou conta de mim e adormeci. Sonhos apocalípticos perturbaram meu repouso e uma pergunta surgiu: será que vamos desaparecer como os dinossauros?Só que dessa vez não será por culpa da glaciação; a culpa seria mesmo nossa.

Todos os dias a vida desaparece do nosso planeta. Ecossistemas são destruídos e, cada espécie que se vai, nos deixa mais sós. O mundo “moderno” está empenhado numa corrida vertiginosa e irresponsável. Nossas despesas ambientais excedem a receita esperada com o progresso técnico em proporção inaceitável.

Acredito que meu sonho é produto da minha preocupação com tudo que estamos vivenciando. Além das catástrofes naturais que vemos agora com mais assiduidade, se nos detivermos em uma análise mais criteriosa, perceberemos que coisas que vêm acontecendo durante anos a fio poderão ter efeitos cumulativos que ainda não se tornaram aparentes.

Nosso ambiente natural vem sendo agredido, modificado, degradado, deteriorado em um ritmo que excede em muito, sua capacidade de autorregeneração. Fenômenos que hoje atingem diversas partes do planeta são reflexos da ação do homem.Muitas coisas que afetam nosso bem-estar, de forma sutil e insidiosa, já se abatiam imperceptivelmente sobre nós.

Meu sonho não foi por acaso, pois tenho uma grande preocupação com o que deixaremos para as futuras gerações. Angustia-me não possuirmos uma consciência coletiva de preservação da natureza. Entristece-me a exploração dos nossos recursos naturais à exaustão e, o descaso que o “homem tecnológico” dos dias atuais tem com o meio ambiente, comprometendo a nossa qualidade de vida e tornando impossível as vidas dos que nos sucederão.

O medo apossou-se de mim como à uma criança nos filmes de terror. Vejo o mundo agônico em sua derradeira batalha. Pensamentos infantis povoaram a minha cabeça e, procurei salvar coisas que ficassem como registros de nossa civilização. Seria uma tarefa hercúlea, mas, me ocorreu que deveria gravar uma infinidade de dvd’s; uma seleta do que deu tempo de fazer: Baghavad-Ghita; Homero; Shakespeare; relevos astecas; pirâmides ; Mondrian; Taj Mahal: Auschwitz; Hiroshima e tantas outras coisas, logicamente em originais acompanhados de tradução em Esperanto, senão eles não vão entender nada. Enviar em uma “sonda” a quem interessar possa, para que algo ou alguém, que queira se dar ao trabalho disso, naturalmente, vez que, qual importância teria o que aconteceu nesta província chamada terra, dentro da vastidão infinita do universo?Talvez alguém querendo fazer um pós-fácil, tente entender como pudemos atanazar tanto os deuses.

Desesperada diante das minhas impossibilidades de salvar ao menos o que achava relevante diante da exiguidade de tempo, acordei. Olhei da janela a vastidão do mar azul e sereno e uma brisa fresca tocou meu rosto…

A noite se avizinhava e, com ela, a esperança de um novo dia que não tardaria a chegar. Preciso contar o meu sonho. Preciso empenhar-me mais na preservação do planeta. Preciso terminar o meu livro sobre a degradação ambiental. Preciso….

 

Valéria Guz  

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