Monografia - Pesquisa
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Quando você conhece alguém que lhe interessa, possivelmente tenta descobrir se a pessoa é legal, quantos anos tem, onde mora etc. Ou seja, pesquisa.
Se seu família mora no interior e você precisa limitar suas despesas na cidade a uma modesta mesada, atenta para os anúncios de aluguel, pergunta aos colegas se sabem de algum lugar barato... Isto é, pesquisa.
Esses dois exemplos já nos permitem definir pesquisa como coleta de dados.
Logicamente há uma diferença entre as pesquisas que fazemos em nosso cotidiano e aquelas que realizamos profissionalmente.
Para informar o público sobre uma falcatrua escondida sob sete capas, por exemplo, o jornalista contata possíveis informantes, procura a polícia, faz plantão diante da porta dos suspeitos e chega a se disfarçar, para descobrir o ocorrido.
A escrita da monografia requer disposição semelhante. Talvez não necessitemos correr perigo, mas devemos recolher o maior número possível de dados sobre nosso tema.
Acontece que a universidade é o local por excelência da transmissão e ampliação do conhecimento: sempre teve muita gente pesquisando.
Os acertos e erros, as grandes descobertas e os fiascos retumbantes, tudo isso foi mostrado a maneira mais racional, econômica e eficaz de pesquisar. Assim surgiu a chamada pesquisa acadêmica ou científica.
Os adjetivos "acadêmica" e "científica" dão a entender uma atividade complicada. Mas querem dizer apenas que a pesquisa é feira de maneira organizada, controlada e rigorosa. Na verdade, é a forma mais simples de recolher informações para trabalhar universitários.
É o que demonstramos a seguir, ao percorremos suas diferentes fases.
Formulação de hipóteses
Digamos que você tenha resolvido dedicar sua monografia ao seguinte tema: "Emprego e economia no século XXI". Ora, recentemente os meios de comunicação veicularam que, na grande São Paulo, o nível de desemprego ultrapassou 20% e atingiu o índice mais alto desde 1985.
Em conversas com seu tio, que vivia na capital paulista nos anos oitenta, você fica sabendo que, naquela época, a maioria das casas comerciais da cidade tinha placas anunciando vagas - algo que não acontece mais.
Com esses dois dados, talvez você conclua que, neste século, haverá cada vez menos postos de trabalho. Mas isto é apenas uma hipótese, a ser comprovada ou refutada em função do que você descobrir.
De toda forma, sua formulação ajuda você a dirigir sua pesquisa, isto é, a privilegiar, no verdadeiro oceano de informações relativas ao tema, aquelas vinculadas à hipótese.
Mesmo que você descubra que o aumento do índice de desemprego é um fenômeno passageiro - a ser resolvido com a melhoria das condições de vida no campo, a hipótese inicial terá sido importante.
Podemos dizer, portanto, que formular hipóteses é um exercício recomendável, pois, independentemente de se comprovarem ou não, elas estimulam à pesquisa, ao mesmo tempo que ajudam a demarcar o material a ser consultado.
Levantamento das fontes
Se, dentro do tema "As mulheres no Brasil do terceiro milênio", você decide focalizar as mudanças ocorridas no vestuário feminino desde o surgimento feminista até hoje, talvez precise recorrer a fontes iconográficas, ou seja, a fotografias e outros documentos visuais.
Ainda no mesmo tema e cobrindo o mesmo período, imaginemos que você resolva assinalar a mudanças da mulher aos olhos dos compositores populares; necessariamente consultará fontes fonográficas: LPs, CDs e assim por diante.
Em ambos os casos, você precisará também de fontes bibliográficas, ou seja, textos. A biblioteca é essencial ao sucesso da pesquisa, pois as abordagens em livros costumam ser mais profunda.
Evidentemente, devemos navegar também na Internet, em busca de ensaios, entrevistas e outros materiais. É possível encontrarmos dados tão recentes que ainda nem constem de livros. Isto é importante sobre tudo nas abordagens de assuntos de nosso tempo.
Um cuidado relativo às fontes em geral diz respeito à sua qualidade. Pode acontecer de um livro recém-lançado ser menos consistente do que uma obra publicada há um século. Ou de o ensaio mais conhecido sobre um determinado tema, escrito por um cientista de renome, já estar ultrapassado.
Para utilizar fontes realmente fidedignas, densas e atualizadas, escolha-as com critério, preferencialmente com a ajuda de seu orientador. Leve em conta também a necessidade de elas realmente terem a ver com seu objetivo de estudo.
Sobre as diferentes fontes escolhidas, anote título, nome do autor, cidade onde foi publicada, editora e ano. Esses dados lhe possibilitam localizá-las e, futuramente, serão “Referencias bibliográficas”.
O ideal é partir para a pesquisa com uma lista de fontes que contenham todo o conteúdo necessário à monografia. Mas, se isso não for possível, comece a pesquisa com os títulos de que dispõe, pois, durante as leituras, descobrirá outras fontes igualmente válidas.
Mesmo que o livro seja essencial, abra-se às outras fontes impressas, como jornais e revistas. Preste atenção também ao que aprece sobre seu tema na televisão e, se possível, no rádio.
Até mesmo na conversa com amigos, tente obter dados. Puxe o assunto e veja o que eles sabem ou ouviram a respeito. Não despreze fonte alguma. Apenas tenha o cuidado de submetê-las a uma triagem e entre as válidas, estabelecer uma hierarquia.
Leitura
A leitura começa ainda durante o levantamento das fontes. Você pega o livro e o aborda pelas beiras: lê quarta capa, orelha, sumário, prefácio, introdução. Isso lhe permite descobrir se a obra é importante ou não para o seu trabalho. Na Internet, você dá uma passada de olhos nos textos, antes de copiá-los.
Tendo escolhido o material necessário à sua monografia, você organiza um programa de leitura. Uma dica: leia primeiramente obras mais gerais, como enciclopédias, dicionários e manuais. Então parta para os textos mais específicos.
Para freqüentar bibliotecas, precisamos vestir roupas nem sempre confortáveis e passar grande parte do tempo sentados, às vezes em cadeiras duras. A vantagem é termos todos ou quase todos os textos ao alcance da mão.
Em casa, a contrapartida do aconchego é a agitação. Você terá certa dificuldade de se concentrar com seus irmãos menores brincando de pique à sua frente. Ou ao som do potente aspirador de pó recém-adquirido pela família. Latidos, então...
Ler sobre determinado tema é uma atividade que se torna prazerosa na medida em que ampliamos nosso conhecimento a respeito; mais inicialmente pode se apresentar como tarefa penosa, cujo progresso requer boas condições, a serem criadas em qualquer lugar.
Na biblioteca, podemos levantar periodicamente da cadeira, passear um pouco e, eventualmente, até fazer exercícios de alongamento. Em casa, o isolamento necessário à concentração pode ser conseguido com simples fechamento da porta do quarto.
Em prol da própria produção, convém que você saiba exatamente o que ler em cada livro. Às vezes um volume de quinhentas páginas tem apenas dez que interessam a seu estudo. É tão-somente a elas que você deve ater-se.
Finalmente, estabeleça um horário mínimo de leitura diária. Não encontramos sempre tempo para nos banhar, Escobar os dentes e tomar outras medidas antes de sair de casa? Parece risível, mas convém tratarmos a pesquisa com a mesma seriedade.
Isso não quer dizer que precisamos deixar de viver; apenas temos de acrescentar o item pesquisa de nossa agenda.
Apontamentos, fichas e síntese
À medida que vai lendo, você identifica os dados que podem servir à sua monografia. Então os anota em ficha, podendo optar entre:
a) Transcrever ao pé-da-letra a passagem, colocando-a entre aspas e citando a obra e a página onde foi encontrada;
b) Escrever com suas palavras o que entendeu do trecho, também anotando a referência bibliográfica.
É conveniente colocar título e subtítulos em cada ficha, a fim de poder identificá-las com facilidade.
Durante a confecção das fichas, sempre surgem idéias: anote-as! Em vez de confiar na memória, pense que certos lampejos podem não voltar...
No que concerne às anotações, é importante tomar os seguintes cuidados:
a) No resumo, mantenha-se fiel às idéias do autor.
b) Estabeleça uma estrutura capaz de mostrar a lógica do texto – sua introdução, desenvolvimento e conclusão.
c) Na síntese, preserve os conceitos fundamentais.
d) Ao final, teça comentários pessoas, anote críticas, formule dúvidas e desenvolva as idéias.
Tendo em vista que as anotações são feitas conforme você as lê, é interessante que, finalizada a confecção das fichas, você as organize segundo a ordem que quer imprimir à sua monografia.
Arquivos
Nos países ricos, é comum os pesquisadores chegarem às bibliotecas com computadores portáteis, nos quais registram diretamente as informações coletadas.
Ainda que isto esteja longe de nossa realidade, é impossível imaginar que nosso futuro será semelhante.
Mesmo que você só tenha acesso a computador de mesa, transfira para ele os dados anotados na biblioteca. Assim, você os organiza e manuseia com muito mais facilidade.
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