Monografia - Dissertar e Argumentar
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A monógrafa possibilita que você transmita a outra pessoa de maneira metódica, o que descobriu e concluiu sobre um tema especifico. Para atingir tal objetivo, você disserta e argumenta.
Expliquemos, com o máximo de clareza possível, o que significam essas duas atividades complementares.
Dissertar
Digamos que você escolha o tema “cultural e globalização” e resolva dedicar sua monografia ao relato da seguinte experiência: em grupo de professores vem desenvolvendo um esforço de familiarização das crianças de sua cidade com as tradições locais.
Para tanto promove visitas a grupos folclóricos e organizam pesquisas junto aos habitantes temas mais antigos sobre lendas, crenças, cantos, e costumes. Também estimula a leitura de textos sobre o assunto e realiza debates nas escolas. Assim, tem conseguido despertar os estudantes para a importância de se valorizar o patrimônio cultural do município.
Ao descrever essa experiência, você possibilita que outras pessoas a conheçam e, eventualmente, desenvolvam projetos semelhantes. Ao descrever essa experiência, você possibilita que outras pessoas a conheçam e, eventualmente, desenvolvam projetos semelhantes. Ao inseri-la nas tradições cultivadas no restante do estado, no Brasil e no mundo, você chama a atenção para a riqueza do folclore e para a importância da variedade cultural no fortalecimento das comunidades humanas.
Mas atenção: seu trabalho não se confunde com reportagem. Um jornalista pode fazer uma matéria usando o mesmo enfoque, porem pelas próprias características dos meios de comunicação, não tem condições, não tem condições de aprofundar abordagem. Quanto a você, deve empreender um exame minucioso e bem fundamentado.
O público da mídia e da monografia são diferentes. Espectadores de tevê, leitores são diferentes. Espectadores de tevê, leitores de jornal e ouvintes de rádio absorvem notícias na correria cotidiana, portanto querem ser informados da maneira mais simples e rápida possível. Enquanto isso quem se debruça sobre uma monografia busca profundidade.
Ciente disso, você narra a experiência em toda a sua riqueza, enfocando implicações, causas e conseqüências. Desenvolve raciocínios a partir de um número razoável de depoimentos e de uma bibliografia consiste. Atinge um nível requerido em trabalhos científicos.
Você não tenta convencer o leitor de nada. È como se o relato da experiência bastasse. Para atestara importância das manifestações culturais, você simplesmente narra o maravilhamento das crianças, a alegria das participantes dos folguedos, as oportunidades de congraçamento criadas pelas danças e eventos semelhantes.
Então dizemos que sua monografia é basicamente dissertativa.Expõe, explica e interpreta, mas sem intenção de persuadir.
Mesmo assim, você acaba argumentando. Na introdução ao longo do desenvolvimento ou na conclusão, inevitavelmente você defende certos pontos de vista e assume determinados posicionamentos.
Por isso, ao nos referimos a qualquer monografia, podemos falar em predomínio do discurso dissertativo ou do discurso argumentativo, mais jamais em exclusividade de um dos.
Argumentar
Digamos que você resolva dedicar sua monografia a “cultura e globalização”, mais não para narrar uma experiência, e sim com o objetivo de discutir os efeitos da onda de globalização sobre a formação os jovens dos jovens que recebem continuamente uma grande quantidade de dados da cultura estrangeira, por meio de Internet, música, cinema e outros mecanismos.
Percebe como o mesmo tema comporta abordagens distintas? Neste último caso você parte de um fato, levanta hipóteses e chega a conclusões. Para obter êxito, prioriza o discurso argumentativo.
Argumentar é uma atividade bem mais complexa que dissertar. Notamos a diferença em nosso próprio cotidiano: temos muito menos trabalho para relatar um acontecimento do que para convencer alguém de alguma coisa.
Façamos de conta que você comece sua monografia apresentando estatísticas e reflexões comprobatórias de que, nos últimos anos, aumentou significativamente a chegada de dados de culturas estrangeiras.
Você reproduz diferentes opiniões dos especialistas acerca dos possíveis efeitos do fenômeno. Para não nos estendermos demais na discussão, digamos que todos esses pareceres possibilitem a elaboração esquemática de duas hipóteses:
1 – Nossa cultura definhará;
2 – O contato com a cultura alheia ampliara a compreensão de nossa própria cultura, que sairá valorizada do processo.
Hipóteses são respostas provisórias, portanto têm de ser testadas. Para tanto, você focaliza os argumentos que sustentam as duas acima, n o que eles têm de coerente ao de falho.
Aos poucos, você expõe seu próprio pensamento, levanta sua hipótese – que não precisa necessariamente ser uma das duas já aventadas.
Sua hipótese precisa ser definida.
Para tanto, em vez de se limitar a indícios e suposições, você recorre a fatos, exemplos, comparações, estatísticas, testemunhos e o que mais possa justificar o seu ponto de vista. Organiza essas informações em ordem crescente de importância. Alinha seus argumentos dos mais frágeis aos mais consistentes.
Percebe como, numa monografia com essas características, você usa argumentos do inicio ao fim? Inicialmente, para apoiar ou refutar hipóteses dos autores consultados. Em seguida, para demonstrar a pertinência de seu próprio pensamento.
Acrescentemos apenas que mesmo uma monografia assim inclui passagens dissertativas. A apresentação da questão, a descrição das hipóteses e o relato de eventos são alguns do muitos exemplos que podemos dar nesse sentido.
Para que sua argumentação seja bem-sucedida, apresentamos a seguir algumas dicas valiosas.
Contestação
Ante de contestar uma opinião, exponha-a. Apresente-a de maneira imparcial e completa, de modo a oferecer uma visão nítida do pensamento de quem a formulou. O leitor tem direito de saber o suficiente para formular um ponto de vista próprio.
Ao iniciar a contestação, seja gentil. Para tanto, abra a frase com partículas de ligação que introduzam a idéia oposta e evite generalizações. Exemplos: “Mas, considerado certos aspectos...”; “Contudo, a maior parte dos estudiosos afirma...”.
Concordância parcial
Deixe clara sua posição, mesmo que ela difira de pontos de vista alheios. Mas não se esforce em negar totalmente opiniões contrárias ao seu pensamento. Sempre que for o caso, aponte que aspectos opostos ao seu discurso merecem ser considerados.
Faça isto por meio de frases como:
“É verdade que em determinador casos...”;
“É possível que isso também aconteça...”;
“Em parte, talvez o autor esteja com a razão.
Formulação de hipóteses
Nós, seres humanos, naturalmente curiosos. Tentamos conhecer tudo. Queremos saber por que e como as coisas acontecem.
Diante de algo desconhecido, que nos intriga, levantamos afirmações provisórias para explicar o que ainda não conhecemos: são as hipóteses.
Chegamos as hipóteses por diferentes, do bom senso à experiência, passando pela intuição e mesmo a fantasia.
Seja como for, as hipóteses precisam ter funda mentos e lógica. Afinal, norteiam a pesquisa e a escrita. Até o último momento, nós as testamos, a fim de verificar se são válidas ou não.
Seguem algumas dicas para você formular bem as hipóteses:
a) Pense em situações possíveis de acontecer.
b) Cuidado para não se contradizer em relação às teorias.
c) Evite adjetivações exageradas.
d) Busque objetividade, clareza e precisão.
e) Em vez de generalizar, caracterize.
f) Não esqueça que a hipótese deve ter relação direta com o problema.
g) Separe suas próprias hipóteses das de terceiros. Sobretudo, jamais atribua a si o que outros desenvolveram. A desonestidade intelectual é delito grave.
Autoridade
Reforce a credibilidade de seus argumentos fundamentado-os em trabalhos de especialistas e autores qualificados.
Os depoimentos também devem ser escolhidos segundo a autenticidade e a legitimidade de quem os profere.
Falácias
Durante a pesquisa, buscamos dados para sustentar nossa monografia do inicio ao fim. Mas, durante a redação, eventualmente descobrimos que nos faltam informações igualmente importantes. Voltamos às fontes e as completamos.
Porém, pode acontecer de não termos tempo ou condições de realizar esta última busca. Neste caso, assumimos a lacuna para o leitor, que tem consistência das diferentes partes do texto.
Durante defesa de monografia (graduação), dissertação (mestrado) ou mesmo tese (doutorado), os professores da banca examinadora costumam comentar as fraquezas de conteúdo ou raciocínio que detectaram. E nem por isso reprovam o estudante.
Agora, ficam decepcionados ou enfurecidos caso percebam erro primário, ardil ou fraude.
Portanto, evite:
a) Deixar-se arrebatar, abandonando o foco da monografia para se apegar a questões marginais.
b) Cair em círculos viciosos. Por exemplo:
“Esse jogador joga mal, porque não tem um bom desempenho em campo”;
c) Dar voltas em torno do mesmo ponto, refazendo a declaração com palavras diferentes, mas que nada acrescentam;
d) Apresentar com evidente algo que desconhece;
e) Tomar casos particulares como regra geral;
f) Apontar como causa algo que não levou à conseqüência.
Conclusão
Sua monografia inclui uma conclusão na qual você faz um balanço completo do caminho percorrido. Mas, nas diferentes partes do texto, feche suas descrições e raciocínios com expressões e frases arrematadoras.
Após discorrer sobre diferentes pareceres emitidos acerca de um determinado aspecto, por exemplo, você não precisa necessariamente sintetizá-los, mas deve chegar a alguma conclusão a respeito.
Para tanto, inicie a frase seguinte com palavras de ligação como: logo, portanto, conseqüentemente etc.
Essa espécie de fecho circunstancial ajuda a lançar o leitor para frente, no sentido de novos horizontes de reflexão.
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